A jornada da iniciativa: você também pode

Criar uma revista como esta exige iniciativa, certo? Organizar um curso, montar uma palestra, criar um blog e até mesmo entrar em contato com um cliente também exige, não é? Mas vocês devem conhecer várias pessoas que fazem tudo isso, e não são pessoas irreais e inalcançáveis. São as pessoas que estão por trás desta revista, por exemplo, que são como você, como eu, mortais como todos nós. Gente que gosta de Harry Potter, mas que sabe que não faz mágica.

Eu gosto de me incluir nesse grupo da iniciativa, faz parte da minha realização profissional e pessoal. Mas aí tenho que dar um exemplo, porque a gente só faz parte de um grupo quando age da mesma forma. Eu não criei uma revista, mas organizei uma oficina de português para os meus colegas tradutores e revisores de Curitiba. E essa iniciativa começou quando conheci a Bianca Freitas Saburi, aqui da Traduzine, no PROFT 2015. Lá, ela ministrou uma oficina de português, que foi um dos pontos altos do evento. Muita gente pediu bis. Até eu, que não participei da oficina, também quis entrar nessa. O pessoal de Curitiba que estava lá sugeriu que acontecesse aqui na cidade e eu adorei a ideia. Era só alguém organizar que eu participaria. Mas quem organizaria?

Deixa comigo.

Há quem diga que falar é fácil, e é mesmo. Mas, para nossa vantagem (ou não), nós, seres humanos, temos uma tendência enorme à inércia. Por isso é tão difícil não assistir ao próximo episódio da sua série quando você já está no sofá. Mas inércia também significa que, quando estamos em movimento, a tendência é continuarmos em movimento. Então, a partir do momento em que eu disse “deixa comigo, eu organizo a oficina”, eu entrei em movimento, e a tendência natural era continuar.

Iniciativa é isso. É sair do sofá. É esse impulso inicial. É perceber algo que se deseja e não esperar outra pessoa fazer acontecer. É tomar iniciativa, tomar a frente. Dizer “deixa comigo”. Só isso. Quando se fala em iniciativa, parece que é uma coisa muito grande, mas o momento da iniciativa é rápido, é uma faísca. O que vem depois é trabalho duro. Sabe aquela famosa frase, “1% inspiração e 99% transpiração”? Pois é.

O que eu gosto de fazer no momento da iniciativa é dar um nome à coisa. A gente costuma se apegar depois que dá nome, por isso que galinha com nome não vai pra panela. No meio profissional, é melhor chamar de “projeto”, tem um ar mais sério e a sensação de conquista é maior no final. No meu caso, foi o projeto Oficina de Português para Tradutores. Mas, em geral, o tal movimento é como uma viagem. E a gente começa escolhendo o destino.

Sabendo-se o destino, falta todo o resto, e entender no que consiste o resto é fácil. Uma viagem consiste em sair de um lugar e chegar a outro. E para se movimentar por caminhos desconhecidos, é sempre bom levar um mapa, para ninguém se perder no caminho. O mapa é o seu plano de execução do projeto, que tem todas as etapas necessárias para chegar ao destino. No caso da Oficina de Português para Tradutores, o plano incluiu: encontrar um local para realizar o curso, gerenciar o transporte e a estadia da Bianca, contratar os coffee breaks, preparar os materiais de estudo e de divulgação, divulgar o curso, cobrar dos alunos, pagar as despesas, etc.

Tem mais alguma coisa além do mapa nesse resto? Sim. Mesmo que a tendência seja sempre continuar em movimento, no nosso planeta, até o ar tem resistência. Então não adianta ter um mapa e não colocar combustível para viajar. Até nós mesmos precisamos de combustível para qualquer coisa, como aquele café maravilhoso no início do dia. Então, uma iniciativa também precisa de combustível, que são recursos dos mais variados tipos: tempo, dinheiro, contatos, disponibilidade, pessoas, etc. Mas tem um combustível meio invisível à primeira vista, mas que é o de maior octanagem e que nos motiva mais do que qualquer coisa: o apoio das pessoas. A octanagem do apoio das pessoas é incrível porque é sempre crescente. Aqui em Curitiba, quando comecei a divulgar o curso, a aceitação foi ótima, e isso me incentivou a caprichar ainda mais em tudo que eu podia fazer como organizador. Foi um dos melhores momentos do ano.

Então, se você já sabe o destino aonde quer ir, já sabe que vai precisar de um mapa e de combustível, basicamente a sua viagem está definida. Você só precisa entrar no carro e seguir o trajeto previsto. Só isso. É fácil? Não. É difícil? Também não. É só seguir o mapa e estar preparado para os imprevistos, porque eles sempre acontecem. No nosso curso, tivemos problemas com o calor inesperado, com o quadro-negro que não apagava, com o projetor que não funcionou…

Os imprevistos vão deixar você maluco? É possível. Mas o prazer da viagem e de ver o seu plano realizado é maravilhoso. E, de quebra, você, como autor da iniciativa, vai também fazer novos contatos, ganhar projeção e visibilidade e viver uma divertida aventura.

Por isso, no futuro, quando você pensar em como seria bom se algum evento acontecesse, ou quiser fazer alguma coisa, a dica é: saia do sofá, dê um nome ao projeto, ou seja, saiba o seu destino, crie um mapa para chegar lá, ou seja, compreenda as etapas necessárias para realizar o seu plano, e finalmente abasteça o carro, ou seja, descubra de que recursos você vai precisar. Depois é só dirigir com cautela até o destino, seja lá qual for: um curso, um congresso, uma viagem, ou mesmo adotar um cachorro.

margo

Essa é a minha viagem mais recente, a Margô. E a sua, qual foi? E a próxima, qual será?

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