Paralelismo

Temos o paralelismo (ou a simetria de construção) quando elementos de uma mesma frase desempenham a mesma função e, por isso, apresentam a mesma estrutura gramatical. Ao manter o paralelismo, deixamos mais claro para o leitor que os elementos semelhantes desempenham a mesma função na frase, o que facilita o processo de leitura.
Vejamos nos exemplos abaixo, retirados do manual de estilo do Othon M. Garcia, a importância do paralelismo.

A energia nuclear não somente se aplica à produção da bomba atômica ou para outros fins militares, mas também pode ser empregada na medicina, comunicações e para outras áreas.

É bem provável que essa frase soe um pouco confusa para você, ou pelo menos estranha. Isso se deve ao fato de que o paralelismo foi quebrado em todas as instâncias possíveis, o que prejudica a leitura do período.

Façamos uma análise do período em questão.

A energia nuclear não somente se aplica à produção da bomba atômica ou para outros fins militares, mas também pode ser empregada na medicina, comunicações e para outras áreas.

Os elementos do trecho que romperam com o paralelismo estão marcados com cores, cada cor indicando uma estrutura gramatical diferente. Repare que, por exemplo, o verbo aplicar tem dois objetos indiretos: (1) à produção da bomba atômica  e (2) para outros fins militares. Apesar de desempenharem a mesma função na oração, os dois objetos apresentam estruturas distintas, e essa distinção faz com que o leitor se pergunte: “’para outros fins militares’ também é objeto de aplicar?

Pode até estar claro para você que a resposta para a pergunta acima é sim. Entretanto, temos que, quanto mais complexo for o período, mais dificuldade o leitor terá de entendê-lo se o paralelismo não for respeitado. Desse modo, recomendamos que você se habitue a manter o paralelismo sempre que possível.

Ao restabelecermos o paralelismo no período, temos:

A energia nuclear não somente se aplica à produção da bomba atômica ou a outros fins militares, mas também pode ser empregada na medicina, nas comunicações e em outras áreas.

O paralelismo, no entanto, nem sempre deve ser mantido. Há casos em que seguir o paralelismo prejudica a leitura ao invés de facilitá-la.
O tratado foi assinado pela França, pelo Brasil, pelos Estados Unidos, pela Alemanha, pela Índia, pela China e pela Rússia.

No exemplo acima, o paralelismo não foi quebrado, mas o período ficou esteticamente ruim. Repare que a repetição excessiva da preposição com o artigo tornou o trecho cansativo e até mesmo difícil de compreender. Nesse caso, seria melhor optar ou por apenas usar a preposição por, sem o artigo, ou por romper com o paralelismo totalmente:

O tratado foi assinado por França, Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Índia, China e Rússia.
O tratado foi assinado pela França, Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Índia, China e Rússia.

 

Referência: Comunicação e prosa moderna, de Othon M. Garcia (2010).

 

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