Entrevista com Caroline Alberoni

Conte para nós um pouco da sua trajetória na tradução.

Descobri que existia o curso de tradução quando estava no segundo ano do antigo colegial, em um guia do estudante. Eu já havia me formado em um curso de inglês e era apaixonada pelo idioma, então não tive dúvidas: decidi que queria ser tradutora.

Formei-me em Bacharelado em Letras com Habilitação em Tradução pela UNESP e sou mestre em Translation Studies with Intercultural Communication pela University of Surrey (Inglaterra). Comecei a “freelancear” logo depois que voltei da Europa. Uma agência de tradução estava procurando tradutores freelancers, e eu, oportunidades de trabalho na área. Na época, eles me passaram um fluxo de trabalho que ocupava todo o meu tempo, o que possibilitou que eu começasse a trabalhar como tradutora freelancer a todo vapor. Cerca de dois anos depois, após muito aprendizado e reconhecer o que era melhor ou pior para mim, comecei a procurar e a trabalhar com outros clientes, aumentando e aprimorando o meu portfólio. Hoje, trabalho tanto com clientes diretos quanto com agências, tanto brasileiros quanto do exterior.

 

De que forma o investimento em presença online, com site próprio e perfis nas redes sociais, impactou a sua carreira?

Acredito que o impacto maior seja na autoconfiança. Eu me sinto profissional e, portanto, ajo de forma a passar isso para outras pessoas. Além disso, sempre levo em consideração a minha opinião pessoal: se uma pessoa não tem um site, logo penso que ela ainda é estudante, está começando na profissão ou não leva a profissão a sério. Quero que meus possíveis clientes pensem isso de mim?

Ter um site é incontestavelmente essencial na vida de um profissional, queira você ou não. Ele é sua casa profissional. É nele que as pessoas procurarão informações sobre você. Ter perfis nas redes sociais também é importante, mas pode ser administrado de acordo com sua preferência. É óbvio que quanto mais presente você estiver na rede, mais “encontrável” você será. No entanto, leve em consideração as plataformas de seu maior interesse e administre-as com cuidado e atenção. Deixar uma plataforma às moscas é igualmente arriscado para a sua imagem.

Tenho um retorno muito legal de contatos de clientes que me encontraram em busca no Google (no qual você só aparece facilmente se tiver uma boa presença online). Você já tentou se “googlar”? Tente e tire suas próprias conclusões. 😉

Como citei na minha palestra do Congresso da Abrates, “se você não está na internet, não existe”.

 

“A primeira impressão é a que fica? O que o tradutor deve (ou não deve) fazer para garantir uma boa impressão? E se o tradutor causar uma má impressão, é possível desfazê-la?

Pode soar drástico, mas, na maioria das vezes, sim, a primeira impressão é a que fica, se você não tem a chance de conhecer a pessoa melhor. Muitas vezes, não temos uma segunda chance de mostrar ao possível cliente quem realmente somos. Por isso, temos que fazer todo o possível para garantir que ele tenha a melhor impressão possível de nós logo no primeiro contato.

Eu pessoalmente acredito que tudo comunica: desde o endereço de e-mail em si às palavras que você usa para escrever a mensagem. Pensando no contato por e-mail, minhas dicas são:

  • Tenha um endereço de e-mail profissional, de preferência com um domínio próprio.
  • Crie uma assinatura de e-mail profissional com seu nome, nome da sua marca e logo (se houver), telefones para contato (indicando o fuso horário, caso você tenha clientes no exterior) e website. Se você ainda não tiver um website, forneça outra página profissional na qual o cliente possa encontrar mais informações sobre você (de preferência, LinkedIn ou About.me).
  • Responda aos e-mails o mais rápido possível. Pode ser um ponto controverso, pois muitas pessoas dizem que o e-mail é a ferramenta que mais prejudica nossa produtividade e que, por isso, é necessário estabelecer horários fixos para acessá-lo. Eu, pessoalmente, não concordo. Mensagens de clientes (tanto atuais quanto de primeiro contato, solicitando cotação, por exemplo) são sempre respondidas imediatamente. É claro que outras mensagens não tão importantes podem ser respondidas assim que você entregar aquele projeto urgente, mas jamais demore dias para responder a um e-mail.
  • Não seja informal nas mensagens e seja sempre educado.

Se você souber, de alguma forma, que causou uma má impressão, tente desfazer o mal-entendido. Peça desculpas, explique-se e coloque-se à disposição para responder a qualquer dúvida ou ajudar com algum problema. No entanto, cuidado para não ser insistente.

 

Há muitos tradutores que vendem seus serviços como uma empresa, mesmo quando a empresa é constituída, na verdade, apenas pelo próprio tradutor. Qual é a vantagem de se apresentar como empresa e não como tradutor individual?

Ter uma marca é importante, pois ela expressa profissionalismo, seriedade e comprometimento, entre outras qualidades empreendedoras. Se uma pessoa se deu ao trabalho de criar uma marca, isso mostra que ela leva a profissão a sério e não está apenas trabalhando como tradutor no tempo livre, para ganhar um dinheiro extra no fim do mês. Com isso, a chance de o cliente confiar em você, tanto na sua qualidade quanto na sua idoneidade, é muito maior.

Há muitas pessoas que têm uma marca com o próprio nome. Outras, criam um nome fantasia completamente novo. O importante a ser compreendido aqui é que, como empreendedores individuais, nós somos a nossa marca e a nossa marca somos nós.

 

Os tradutores mais experientes costumam ter alguns contatos iniciais e conseguem, a partir daí, expandir seu networking. Como um tradutor iniciante, por sua vez, pode criar uma rede de contatos?

Eu me lembro claramente de todos os eventos de tradução dos quais participei, desde quando era aluna da graduação até mais recentemente, do VII Congresso da Abrates. Quando era aluna, participei do CIATI, que não existe mais. Foi muito produtivo em termos de conhecimento, mas não para o networking. Compreensível, pois o que me faltava de maturidade sobrava de timidez. Depois de formada e já trabalhando, comparando o primeiro Congresso da Abrates, do qual participei em 2013, em Belo Horizonte, com o de 2015, em São Paulo, e o de 2016, no Rio de Janeiro, é clara a evolução que tive no networking. Cada vez conheço mais pessoas por ter conhecido aquelas poucas há dois anos e aquelas outras há um ano. No começo, conhecemos pouquíssimas pessoas, mas, por meio delas, conhecemos outras online que, por sua vez, conheceremos pessoalmente no próximo evento e que nos apresentarão a outras pessoas. E assim segue o networking.

Se não consigo conversar com alguém que admiro pessoalmente, envio um e-mail me apresentando à pessoa e explicando o meu contato, além de segui-lo nas mídias sociais (página do Facebook, Twitter e/ou Google+; só adiciono a pessoa como amiga no Facebook e no LinkedIn em casos especiais e também sempre me apresentando).

O segredo é não ter vergonha e encontrar brechas para se inserir e oportunidades de conexão com a pessoa. As mídias sociais também ajudam muito no networking.

 

Você tem mais alguma dica para os tradutores iniciantes que querem investir em promoção pessoal? E para os tradutores mais experientes?

Acredito que seja importante investir na criação de uma marca e na presença online tanto para iniciantes quanto para os mais experientes. O mundo está em constante mudança e temos que acompanhá-lo, caso contrário, somos deixados para trás. Como freelancers, nossa profissão pode ser muito instável, sem muita garantia, então jamais podemos nos acomodar.

Especificamente aos iniciantes: não tenham medo de aprender com os erros, pois são eles que nos ensinam o que é certo e errado. É preciso ler, investigar, ler, procurar, ler, questionar, ler, seguir pessoas influentes, ler! Não esperem as coisas caírem do céu ou alguém dar a fórmula mágica para o sucesso, pois, sinto-lhes informar, ela não existe!

Aos experientes: não somos concorrentes, mas colegas de profissão. Podemos sempre nos ajudar de uma forma ou de outra. Estamos aqui para somar, não para subtrair. Além disso, temos sempre algo a aprender. Ninguém é perfeito nem insubstituível. Aprendizado e colaboração sempre!

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Caroline Alberoni

Caroline Alberoni é tradutora profissional com cinco anos de experiência. Graduou-se em Bacharelado em Letras com Habilitação em Tradução pela UNESP e é mestre em Translation Studies with Intercultural Communication pela University of Surrey (Inglaterra). É a responsável pela Alberoni Translations e tem um blog, Carol’s Adventures in Translation. Seus esportes preferidos são a corrida e o tênis. Nas férias, gosta de viajar e conhecer lugares novos.

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