Iniciativa: um lugar para desenvolver habilidades

Não há como negar que o trabalho é essencial para o ser humano. Afinal, é por meio dele que conseguimos o nosso sustento e conquistamos nossos desejos e sonhos. Mas o trabalho é uma parte do que somos. E muitas das habilidades que podemos explorar estão fora das obrigações cotidianas.

Foi pensando nisso que decidi buscar um complemento ao meu trabalho. Algo que, aliado ao meu ofício da tradução, me motivasse ainda mais a exercer a profissão e onde eu pudesse contribuir mais, me sentir parte de uma comunidade de tradução e desenvolver meus potenciais para somar a minha ocupação.

O que você fez, Luciana?

Tomei uma iniciativa! Saí da minha zona de conforto, da minha everyday translation life e descobri que tinha muitas aptidões que estavam guardadinhas dentro de mim.

Levei mais de um ano para que isso acontecesse, mas eu acredito que a iniciativa decorre da vontade, oportunidade e contatos.  E, no meu caso, a oportunidade surgiu logo após o Congresso da Abrates de 2016 (bem recente!). E já posso dizer que foi decisivo e revolucionário na minha vida.

Conversando com a tradutora Sheila Gomes, surgiu a ideia de levar os Barcamps de Tradutores e Intérpretes que acontecem em Curitiba também para o Rio de Janeiro, cidade onde moro. Formamos um grupo de mastermind (descubra o que é aqui e aqui) com colegas de outros estados e cidades (Maringá e Porto Alegre), que também estavam interessados em iniciar esses encontros nos seus respectivos locais.

Abro parênteses aqui para explicar o conceito de Barcamp.

  • São encontros horizontais, ou seja, encontros que não pertencem a uma única pessoa ou a uma instituição ou entidade. Há um grupo de organizadores, que são voluntários e que ajudam na definição do local, na divulgação, no contato com palestrantes etc., mas todos os participantes são responsáveis pela sua construção, ao trazer algo para comer, tirar uma foto, apresentar um tema, fazer palestra, perguntas…;
  • São abertos a todos que tenham interesse na área, profissionais que tenham tradução como uma segunda atividade ou queiram mudar de carreira e principalmente para estudantes, o que torna o Barcamp um local onde podem tirar dúvidas, entender melhor o mercado e estabelecer parcerias;
  • Além disso, são sempre realizados em locais de fácil acesso e são gratuitos, pois sabemos que muitos estudantes e até profissionais não podem bancar a conta de um congresso ou uma conferência de tradução;
  • O objetivo é a profissionalização e a melhoria do mercado, a partir de conteúdos que agreguem valor e ajudem nos percalços da vida tradutória, incluindo o uso de tecnologia, marketing, aspectos financeiros e burocráticos.

Fecha parênteses.

Num primeiro momento, fui tomada pelo medo de estar à frente da organização dos Barcamps, algo normal quando nos deparamos com qualquer novidade. No entanto, eu acreditava na ideia e sabia que seria capaz de tocar o barco. Mas esse barco não poderia ser conduzido por somente um marinheiro, porque o diferencial dos Barcamps é justamente a coletividade e a busca pelo bem comum. Como eu mencionei lá em cima, eu tinha a vontade e a oportunidade, só me faltavam os contatos.

Foi quando novamente a Sheila me indicou a Isadora Veiga, a Deborah Szczerbacki e o Paulo Noriega, colegas que não conhecia pessoalmente, apenas por avatar do Facebook. Fizemos uma reunião por Skype no dia seguinte para que eu pudesse explicar o funcionamento dos Barcamps e saber se estariam interessados em ajudar na organização dessa iniciativa. A resposta foi imediata: EU TOPO!

Daí para o primeiro Barcamp, que aconteceu no dia 03/09/2016, foram dois meses. Afinal precisávamos definir e alinhavar os detalhes para que tudo ocorresse de forma realmente organizada e para que demonstrasse o nosso compromisso com os encontros.

E vocês querem saber como foi o primeiro encontro? REVIGORANTE! A percepção que tive foi que as pessoas queriam muito essas reuniões mensais e que não só querem ajudar como também precisam ser ajudadas, inclusive, nós, organizadores. Já temos uma lista de temas e apresentações até o ano que vem!

Estamos no início da nossa jornada de barcamps e, dialogando um pouco com o texto do Thiago Hilger, foi o nosso 1% de inspiração e agora 99% de transpiração. Ainda há muito a fazer e muito a contribuir, mas o primeiro passo foi dado e o restante vem com a parceria e colaboração de todos.

Mas se você quer saber quais as habilidades que já desenvolvi nesse pouco tempo, posso citar algumas: negociação, organização, falar em público, manejo com as pessoas…

A lição que carrego da tomada de iniciativa é que somos um universo de habilidades que, para serem desenvolvidas, dependem principalmente da nossa vontade, dependem do nosso DEIXA COMIGO! (Thiago, copiei, tá?)

Se quiser conhecer um pouco mais sobre os Barcamps do RJ e ler o relato dos dois primeiros encontros, visite o nosso site. Participe também do nosso grupo no Facebook e acompanhe as datas e locais das próximas reuniões.

Se quiser visitar os Barcamps de Curitiba, veja o site aqui: https://ticwb.wordpress.com/

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1 Comentário

  1. Pode copiar, Lu! 🙂
    Querida, obrigado por mencionar a minha existência aqui. Fico muito muito muito feliz com a sua iniciativa de levar os Barcamps ao Rio. É muito legal ver uma iniciativa assim pipocando em outras cidades. 🙂
    Parabéns pelo seu DEIXA COMIGO e sempre que precisar, estamos aqui para ajudar.
    Beijos!

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